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São Lucas e Nossa Senhora

14/10/2026 | No Coração de Maria

Hoje, quero convidar você para uma viagem muito especial! Uma viagem pelas páginas da Sagrada Escritura, para conhecermos um pouco mais o coração, a fé e a missão de Nossa Senhora!

E quem vai nos conduzir nessa viagem é um personagem extraordinário, cuja festa litúrgica celebraremos no próximo domingo, dia 18 de outubro!

SÃO LUCAS, O EVANGELISTA!

Mas por que São Lucas é tão importante quando falamos de Nossa Senhora?
Pois bem, eu gostaria de começar com uma pergunta que talvez você nunca tenha feito!

VOCÊ JÁ IMAGINOU COMO SERIA O NOSSO CONHECIMENTO SOBRE NOSSA SENHORA SE NÃO TIVÉSSEMOS O EVANGELHO DE SÃO LUCAS?

Imagine não conhecer aquele encontro maravilhoso entre o Anjo Gabriel e uma jovem de Nazaré, escolhida para ser a Mãe do Salvador!
Imagine não conhecer o SIM de Maria, a visita à sua prima Isabel ou aquele belíssimo cântico de louvor que conhecemos como MAGNIFICAT!
Imagine não conhecer aquela frase tão profunda e tão bonita: “MARIA GUARDAVA TODAS ESTAS COISAS, MEDITANDO-AS NO SEU CORAÇÃO!”
Pois é, minha gente querida! Todas essas passagens chegaram até nós por meio do Evangelho de São Lucas!
É verdade que os outros evangelistas também nos apresentam Nossa Senhora! Mas Lucas nos oferece um dos retratos mais ricos e profundos de Maria em toda a Sagrada Escritura!
E aqui está algo maravilhoso!

SÃO LUCAS NÃO NOS REVELA APENAS O QUE MARIA FEZ! ELE NOS AJUDA A COMPREENDER COMO MARIA VIVEU A SUA FÉ!

Ele nos apresenta uma mulher que escuta, que pergunta, que confia, que serve, que louva e que guarda os acontecimentos da vida em seu coração!
Uma mulher que nem sempre compreende imediatamente os caminhos de Deus, mas que nunca deixa de confiar na sua Palavra!
E não é justamente isso que precisamos aprender com Nossa Senhora?
Num mundo de tanta pressa, de tanto barulho e de tão pouco silêncio, Maria nos ensina a parar, escutar, meditar e descobrir a presença de Deus nos acontecimentos da nossa vida!
E há ainda perguntas muito interessantes que vamos procurar responder!

SERÁ QUE SÃO LUCAS CONHECEU PESSOALMENTE NOSSA SENHORA?

Será que conversou com ela? De onde vieram tantos detalhes sobre a infância de Jesus? E por que existe uma antiga tradição que apresenta São Lucas como pintor de Nossa Senhora?
Vamos conversar sobre tudo isso!
E vamos descobrir também uma ligação extraordinária! Lucas nos apresenta Maria acolhendo o Espírito Santo na Anunciação e, mais tarde, reunida em oração com os discípulos, no início da caminhada da Igreja!

MARIA ESTÁ PRESENTE NO INÍCIO DA VIDA TERRENA DE JESUS E TAMBÉM NO INÍCIO DA VIDA DA IGREJA!

Minha gente querida, conhecer o que São Lucas nos revela sobre Nossa Senhora é muito mais do que conhecer acontecimentos do passado!
É descobrir as raízes bíblicas da nossa devoção mariana! É aprender com Maria a escutar a Palavra de Deus, acolhê-la no coração e transformá-la em vida!
Porque CONHECER MARIA É APRENDER COM ELA A CONHECER, AMAR E SEGUIR JESUS CRISTO!
Por isso, abra seu coração e venha conosco!
Hoje, pelas mãos de São Lucas, vamos conhecer um pouco mais daquela mulher que soube fazer da sua vida uma resposta de amor à vontade de Deus!

I – QUEM FOI SÃO LUCAS

SÃO LUCAS EVANGELISTA: QUEM FOI ESSE HOMEM EXTRAORDINÁRIO?
São Lucas é conhecido como o Evangelista da Misericórdia, o Evangelista dos Pobres, das Mulheres, da Oração e do Espírito Santo. E, de maneira muito especial, é também chamado de Evangelista de Maria, porque ninguém, entre os evangelistas, nos deixou tantos detalhes sobre a participação de Nossa Senhora na história da salvação.

1. Quem foi São Lucas?
São Lucas nasceu provavelmente em Antioquia da Síria, uma das grandes cidades do mundo antigo. A tradição o apresenta como um homem culto, de origem pagã, convertido ao cristianismo. Não pertenceu ao grupo dos Doze Apóstolos e, ao que tudo indica, não conheceu pessoalmente Jesus durante sua vida terrena.
Era médico de profissão, conforme testemunha São Paulo na Carta aos Colossenses, quando o chama de “Lucas, o querido médico” (Cl 4,14).
Mas Lucas não cuidou apenas dos corpos. Ao conhecer Jesus Cristo, tornou-se também um anunciador da cura espiritual, da misericórdia e da salvação.

2. O grande companheiro de São Paulo
Lucas tornou-se um dos colaboradores mais próximos do apóstolo São Paulo. Acompanhou-o em algumas de suas viagens missionárias, enfrentando dificuldades, perseguições e os desafios da evangelização.
Quando muitos haviam abandonado Paulo, preso e próximo do fim de sua vida, encontramos uma declaração emocionante na Segunda Carta a Timóteo:
“Somente Lucas está comigo” (2Tm 4,11).
Que testemunho extraordinário de amizade e fidelidade! Lucas não foi apenas um escritor da fé. Foi um homem que permaneceu ao lado dos irmãos, especialmente nos momentos difíceis.

3. O escritor de duas grandes obras
São Lucas é tradicionalmente reconhecido como autor de dois livros do Novo Testamento:
O Evangelho segundo São Lucas, que apresenta a vida, os ensinamentos, a morte e a ressurreição de Jesus.
Os Atos dos Apóstolos, que narram o nascimento e a expansão da Igreja, conduzida pelo Espírito Santo.
As duas obras são dirigidas a um personagem chamado Teófilo. No início de seu Evangelho, Lucas explica que procurou investigar cuidadosamente os acontecimentos, consultando as tradições transmitidas por testemunhas oculares.
Seu objetivo era oferecer um relato organizado e seguro sobre Jesus Cristo.

4. O Evangelista da Misericórdia
É no Evangelho de Lucas que encontramos algumas das mais belas páginas sobre a misericórdia de Deus.
Somente ele nos apresenta parábolas como a do Bom Samaritano, a do Filho Pródigo e a do Rico e Lázaro.
Também é Lucas quem nos apresenta o encontro de Jesus com Zaqueu, o perdão concedido ao bom ladrão e a ternura de Jesus diante da viúva de Naim.
Para Lucas, Jesus é o Salvador que procura os perdidos, acolhe os pecadores, levanta os caídos e devolve esperança aos que sofrem.

5. São Lucas e Nossa Senhora
Aqui encontramos uma das maiores riquezas de seu Evangelho.

É São Lucas quem nos apresenta a Anunciação do Anjo Gabriel a Maria, a Visitação a Santa Isabel, o Magnificat, o nascimento de Jesus em Belém, a apresentação no Templo e o encontro de Jesus entre os doutores.
Sem o Evangelho de Lucas, conheceríamos muito menos sobre Nossa Senhora e sobre a infância de Jesus.
A tradição cristã também apresenta Lucas como pintor de Nossa Senhora, embora não existam provas históricas de que tenha realmente pintado seus retratos.
Mais importante do que ter pintado Maria com pincéis é perceber que Lucas nos deixou um verdadeiro retrato espiritual da Mãe de Jesus por meio de seu Evangelho.
Ele nos apresenta Maria como a mulher que escuta, acolhe, guarda, medita e coloca em prática a Palavra de Deus.

6. Sua morte e sua representação
As circunstâncias da morte de São Lucas não são historicamente seguras. Algumas tradições afirmam que morreu como mártir, enquanto outras indicam que faleceu em idade avançada.
Sua festa litúrgica é celebrada no dia 18 de outubro.
Na arte cristã, São Lucas é representado por um boi ou touro, geralmente alado. Esse símbolo está relacionado ao caráter sacerdotal e sacrificial de seu Evangelho, que começa com Zacarias exercendo suas funções no Templo de Jerusalém.

7. O que São Lucas nos ensina hoje?
São Lucas nos ensina que a fé precisa ser conhecida, aprofundada, vivida e anunciada.
Ele nos recorda que ninguém está excluído do amor de Deus. Que os pobres precisam ser acolhidos, os doentes precisam ser cuidados, os pecadores precisam encontrar misericórdia e os esquecidos precisam recuperar sua dignidade.
E, olhando para Maria, Lucas nos oferece uma lição fundamental:
Não basta ouvir a Palavra de Deus. É preciso acolhê-la no coração, meditá-la em silêncio e transformá-la em atitudes concretas de amor.
Por isso, podemos resumir a grande missão de São Lucas numa belíssima expressão:

LUCAS FOI O EVANGELISTA QUE NOS ENSINOU A CONTEMPLAR A MISERICÓRDIA DE JESUS COM O CORAÇÃO DE MARIA.

III – DESENVOLVENDO O TEMA (SÃO LUCAS E MARIA)

MARIA NO PROJETO DA SALVAÇÃO
MARIA, A MULHER ESCOLHIDA POR DEUS

Lucas 1,26-27

O anúncio do nascimento de Jesus acontece em Nazaré, uma pequena cidade da Galileia. Deus não escolhe um palácio, uma princesa ou uma mulher de grande prestígio social. Escolhe uma jovem virgem, prometida em casamento a José.
Teologia: a iniciativa da salvação pertence inteiramente a Deus. Maria é chamada por graça, não por méritos sociais ou privilégios humanos.
Para nossa vida: Deus não precisa de pessoas famosas ou poderosas para realizar grandes obras. Ele procura corações disponíveis.

Frase para o programa: “Deus encontrou em Nazaré aquilo que muitas vezes não encontra nos palácios: um coração inteiramente disponível.”

MARIA, A CHEIA DE GRAÇA

Lucas 1,28-30

O anjo não chama Maria inicialmente pelo seu nome, mas a saúda como aquela que foi agraciada por Deus. A expressão grega kecharitoméne indica alguém que recebeu a graça divina e permanece marcada por esse favor.
Teologia: a Igreja reconhece nessa saudação um fundamento bíblico importante para contemplar a singular santidade de Maria, à luz também do dogma da Imaculada Conceição. O versículo, isoladamente, não apresenta toda a formulação posterior do dogma.
Para nossa vida: a santidade começa pela graça de Deus, acolhida e correspondida pela liberdade humana.

Frase: “Antes que Maria oferecesse alguma coisa a Deus, Deus já havia realizado maravilhas nela.”

MARIA, A MULHER QUE ESCUTA E DISCERNE

Lucas 1,29.34

Maria fica perturbada com a saudação do anjo e procura compreender seu significado. Depois, pergunta como acontecerá o que lhe foi anunciado.
Teologia: a fé de Maria não é uma obediência mecânica ou inconsciente. É uma resposta livre, inteligente e responsável à revelação de Deus.
Sua pergunta não é sinal de incredulidade, mas expressão de quem deseja compreender a missão recebida.
Para nossa vida: ter fé não significa deixar de pensar ou perguntar. A fé verdadeira também procura compreender.

Frase: “Maria nos ensina que perguntar a Deus não é o contrário de crer. Muitas vezes, é uma maneira de aprofundar a própria fé.”

MARIA, A MULHER SOBRE QUEM REPOUSA O ESPÍRITO SANTO

Lucas 1,35

O anjo anuncia que o Espírito Santo virá sobre Maria e que o poder do Altíssimo a cobrirá com sua sombra.
Teologia: a concepção virginal de Jesus é obra do Espírito Santo. A expressão da sombra divina recorda a presença de Deus na história de Israel, especialmente a nuvem que manifestava sua glória sobre a Tenda do Encontro.
A tradição cristã reconhece aqui uma aproximação entre Maria e a morada da presença divina.
Para nossa vida: a fecundidade espiritual não depende apenas de nossas capacidades, mas da abertura à ação do Espírito Santo.

Frase: “Maria se torna Mãe do Salvador porque acolhe em sua vida aquilo que somente Deus poderia realizar.”

MARIA, A MULHER DO SIM QUE MUDOU A HISTÓRIA

Lucas 1,38

Maria responde ao anjo: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra”.
Teologia: o consentimento de Maria representa uma resposta livre e decisiva ao plano divino. A tradição da Igreja contempla nesse SIM a cooperação singular de Maria na história da salvação.
Os Padres da Igreja desenvolveram também o paralelo entre Eva e Maria: enquanto a desobediência de Eva está associada à queda, a obediência de Maria está associada à acolhida do Salvador.
Para nossa vida: Deus nos chama a colaborar com sua graça, respeitando nossa liberdade.

Frase: “O SIM de Maria não tornou sua vida mais fácil. Tornou sua vida inteiramente entregue a Deus.”

MARIA, A PRIMEIRA PORTADORA DA BOA-NOVA

Lucas 1,39-40

Depois da Anunciação, Maria parte apressadamente para a região montanhosa de Judá, onde vivia sua prima Isabel.
Teologia: Maria leva em seu ventre o próprio Jesus. Antes mesmo do nascimento de Cristo, sua presença já está ligada à manifestação da salvação.
A Visitação pode ser contemplada como um primeiro movimento missionário: Maria não guarda para si o dom que recebeu.
Para nossa vida: quem acolhe verdadeiramente Jesus sente o desejo de levá-lo aos outros.

Frase: “Maria recebeu Jesus em seu ventre e imediatamente se colocou a caminho para levá-lo ao encontro das pessoas.”

MARIA, A MÃE DO MEU SENHOR

Lucas 1,41-43

Cheia do Espírito Santo, Isabel exclama: “Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar?”.
Teologia: Isabel reconhece a dignidade extraordinária de Maria por causa da identidade daquele que ela traz no ventre.
A Igreja encontra nessa passagem um testemunho bíblico importante para a compreensão da maternidade divina de Maria, solenemente afirmada no Concílio de Éfeso, em 431, pelo título Theotókos, Mãe de Deus.
Maria não é a origem da divindade de Cristo, mas é verdadeiramente Mãe da pessoa de Jesus, que é Deus e homem.
Para nossa vida: a grandeza de Maria não pode ser separada da grandeza de seu Filho.

Frase: “Maria é grande não porque ocupa o lugar de Deus, mas porque Deus quis fazer dela a Mãe do seu Filho.”

MARIA, A BEM-AVENTURADA PORQUE ACREDITOU

Lucas 1,45

Isabel proclama: “Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu”.
Teologia: Lucas apresenta a fé como uma dimensão central da identidade espiritual de Maria. Sua maternidade é única, mas sua atitude de fé é também exemplar para todos os discípulos.
Maria é bem-aventurada porque acolheu a Palavra antes mesmo de contemplar seu cumprimento.
Para nossa vida: a fé exige confiança nas promessas de Deus, inclusive durante o tempo da espera.

Frase: “Maria acreditou antes de ver, confiou antes de compreender tudo e permaneceu fiel antes de conhecer o futuro.”

MARIA, A MULHER DO MAGNIFICAT

Lucas 1,46-49

Maria proclama: “A minha alma engrandece o Senhor”.
Teologia: o Magnificat é uma das mais importantes expressões da espiritualidade mariana. Maria reconhece que sua grandeza provém da ação de Deus.
Seu cântico está profundamente enraizado na oração de Israel, especialmente no cântico de Ana, mãe de Samuel.
A verdadeira devoção mariana aprende com Maria a glorificar o Senhor.
Para nossa vida: a gratidão nasce quando reconhecemos que não somos autores de todas as maravilhas de nossa existência.

Frase: “Maria não canta as próprias conquistas. Ela canta as maravilhas que Deus realizou em sua vida.”

10. MARIA, A PROFETISA DA MISERICÓRDIA E DA JUSTIÇA DE DEUS

Lucas 1,50-55

No Magnificat, Maria anuncia que Deus dispersa os soberbos, derruba os poderosos de seus tronos, eleva os humildes e sacia os famintos.
Teologia: o cântico revela a dimensão social e profética da salvação. Deus não é indiferente ao sofrimento dos pobres nem à arrogância dos poderosos.
Maria se apresenta em sintonia com os pobres do Senhor, aqueles que esperam na fidelidade e na misericórdia divina.
Para nossa vida: uma verdadeira espiritualidade mariana não pode ser indiferente à injustiça, à pobreza e ao sofrimento humano.

Frase: “O Magnificat nos ensina que o coração de Maria não é indiferente às dores do mundo, porque está profundamente unido ao coração misericordioso de Deus.”

11. MARIA, A MÃE QUE ACOLHE O SALVADOR NA POBREZA

Lucas 2,1-7

Lucas narra o nascimento de Jesus em Belém. Maria dá à luz seu filho, envolve-o em faixas e o coloca numa manjedoura, porque não havia lugar para eles no alojamento.
Teologia: a maternidade de Maria está inserida no mistério da Encarnação e da humildade de Deus. O Salvador nasce em condições simples, distante dos símbolos humanos de poder.
Maria acolhe o Filho de Deus na realidade concreta da pobreza e da vulnerabilidade.
Para nossa vida: Deus pode estar presente nas situações mais simples e inesperadas da nossa existência.

Frase: “Maria não encontrou um palácio para receber Jesus, mas ofereceu aquilo que possuía de mais precioso: seu amor e sua presença.”

12. MARIA, A MULHER QUE CONTEMPLA A ALEGRIA DOS PEQUENOS

Lucas 2,8-20

Os primeiros convidados a contemplar o Menino Jesus são pastores, pessoas simples que recebem o anúncio dos anjos.
Teologia: Lucas destaca a universalidade da salvação e a atenção especial de Deus aos humildes. Maria participa desse acontecimento e escuta o testemunho dos pastores.
O mistério de seu Filho começa a ser anunciado ao mundo, e ela acompanha silenciosamente essa manifestação.
Para nossa vida: não podemos medir a importância das pessoas pela posição social que ocupam.

Frase: “Enquanto o mundo valorizava os grandes e poderosos, Deus convidava simples pastores para contemplar o nascimento do Salvador.”

13. MARIA, A MULHER QUE GUARDA E MEDITA A PALAVRA

Lucas 2,19

“Maria, porém, guardava todas estas coisas, meditando-as no seu coração”.
Teologia: Maria é apresentada como modelo de interiorização da revelação. Não basta presenciar os acontecimentos de Deus. É necessário acolhê-los, conservá-los e procurar compreender seu significado.
O coração, na linguagem bíblica, é o centro da pessoa, de suas decisões, pensamentos e afetos.
Para nossa vida: a vida espiritual precisa de silêncio, memória, oração e reflexão.

Frase: “Maria não deixava que os acontecimentos simplesmente passassem por sua vida. Ela os levava para dentro do coração, onde procurava descobrir a presença de Deus.”

14. MARIA, A MÃE QUE OFERECE SEU FILHO A DEUS

Lucas 2,22-24

Maria e José levam Jesus ao Templo de Jerusalém, cumprindo as prescrições da Lei do Senhor.
Teologia: Lucas mostra a Sagrada Família inserida na fé e na tradição religiosa de Israel. Maria participa da apresentação de Jesus, reconhecendo que o Filho recebido é dom de Deus.
A maternidade de Maria não significa posse, mas serviço ao plano divino.
Para nossa vida: os filhos são confiados aos pais para serem amados, educados e acompanhados, não para se tornarem propriedade deles.

Frase: “Maria nos ensina que amar verdadeiramente não significa possuir, mas cuidar e ajudar o outro a realizar sua missão.”

15. MARIA, A MÃE QUE RECEBE A PROFECIA DA ESPADA

Lucas 2,34-35

Simeão anuncia que Jesus será sinal de contradição e diz a Maria que uma espada atravessará sua alma.
Teologia: a missão de Maria está intimamente ligada ao destino de Jesus. A tradição cristã contempla nessa profecia o anúncio das dores que ela experimentará ao acompanhar o caminho de seu Filho, especialmente sua Paixão.
Aqui encontramos uma importante raiz bíblica da devoção a Nossa Senhora das Dores.
Para nossa vida: amar profundamente também significa estar disposto a acompanhar o sofrimento de quem amamos.

Frase: “Maria não recebeu a promessa de uma vida sem sofrimento. Recebeu a missão de permanecer fiel ao Filho, mesmo quando uma espada atravessasse sua alma.”

16. MARIA, A MÃE QUE PROCURA JESUS

Lucas 2,41-48

Durante uma peregrinação a Jerusalém, Maria e José perdem Jesus, que tinha doze anos. Depois de três dias de procura, encontram-no no Templo.
Teologia: o episódio revela a experiência humana de Maria como mãe e prepara a manifestação da identidade e da missão divina de Jesus.
Sua maternidade é real, com preocupações e responsabilidades, mas deverá sempre respeitar a missão que Jesus recebeu do Pai.
Para nossa vida: até mesmo pessoas de profunda fé atravessam momentos de angústia e de procura.

Frase: “Maria nos ensina que, quando parece que perdemos Jesus, não devemos desistir de procurá-lo.”

17. MARIA, A MULHER QUE APRENDE A RESPEITAR A MISSÃO DO FILHO

Lucas 2,49-51

Jesus pergunta a Maria e José: “Não sabíeis que devo estar na casa de meu Pai?”.
Lucas acrescenta que eles não compreenderam plenamente o significado daquelas palavras. Maria, porém, conservava tudo em seu coração.
Teologia: Jesus revela que sua identidade e sua missão estão relacionadas, antes de tudo, ao Pai celestial. Maria é convidada a aprofundar continuamente sua compreensão desse mistério.
Para nossa vida: nem sempre compreenderemos imediatamente os caminhos de Deus. A fé também amadurece na espera.

Frase: “Maria nos ensina que é possível não compreender tudo e, mesmo assim, continuar confiando.”

18. MARIA, A DISCÍPULA QUE OUVE E PRATICA A PALAVRA

Lucas 8,19-21

Quando avisam a Jesus que sua mãe e seus irmãos estão à sua procura, ele responde: “Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática”.
Teologia: Jesus revela que a verdadeira família dos discípulos nasce da escuta e da prática da Palavra.
Essas palavras não diminuem Maria. Pelo contrário, à luz do relato da Anunciação, ela aparece como exemplo privilegiado dessa atitude.
Para nossa vida: não basta conhecer a Palavra de Deus. É necessário transformá-la em atitudes concretas.

Frase: “Maria não é apenas a mulher que deu Jesus ao mundo. É também aquela que acolheu sua Palavra e fez dela o caminho da própria vida.”

19. MARIA, A BEM-AVENTURADA PELA FIDELIDADE À PALAVRA

Lucas 11,27-28

Uma mulher no meio da multidão proclama feliz o ventre que trouxe Jesus e os seios que o amamentaram.
Jesus responde: “Muito mais felizes são aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática”.
Teologia: Jesus desloca o olhar da maternidade entendida apenas biologicamente para a bem-aventurança da fé e da obediência à Palavra.
Isso não é uma rejeição de Maria, mas um convite para reconhecer a dimensão mais profunda de sua grandeza espiritual.
Para nossa vida: a verdadeira devoção a Nossa Senhora não se limita a admirá-la. Exige imitá-la.

Frase: “Não basta dizer que Maria é bendita. É preciso aprender com ela a escutar e a viver a Palavra de Deus.”

20. MARIA, A MÃE ORANTE NO CORAÇÃO DA IGREJA NASCENTE

Atos dos Apóstolos 1,12-14

Para concluir nossa reflexão, precisamos ir além do Evangelho e entrar no segundo livro atribuído a São Lucas: os Atos dos Apóstolos.
Depois da Ascensão de Jesus, Maria aparece reunida em oração com os discípulos e outras mulheres.
Teologia: Maria está presente na comunidade que aguarda a promessa do Espírito Santo. A Igreja contempla nessa cena sua comunhão com os discípulos e sua presença maternal na vida eclesial.
Lucas não afirma explicitamente que Maria recebeu o Espírito Santo em Pentecostes, mas a apresenta entre aqueles que perseveravam em oração antes desse acontecimento.
Para nossa vida: a Igreja precisa aprender com Maria a permanecer unida, perseverante e aberta ao Espírito Santo.

Frase: “Maria esteve presente quando Jesus veio ao mundo e permanece em oração com a comunidade que se prepara para anunciar Jesus ao mundo.”

21- A grande síntese da teologia mariana de São Lucas
MARIA, A AGRACIADA
Deus toma a iniciativa, chama Maria e a prepara para sua missão.

MARIA, A DISCÍPULA
Escuta, acolhe, medita e pratica a Palavra de Deus.

MARIA, A MÃE DO SALVADOR
Sua maternidade está inteiramente relacionada ao mistério da Encarnação.

MARIA, A SERVIDORA
A graça que recebe se transforma em disponibilidade, serviço e louvor.

MARIA, A MULHER DA IGREJA
Permanece unida aos discípulos em oração e na esperança do Espírito Santo.