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Santa Teresinha do Menino Jesus: a santidade das pequenas coisas

30/09/2026 | No Coração de Maria

Será que é possível tornar-se santo sem fazer nada de extraordinário?
Sem realizar grandes obras?
Sem ser famoso?
Sem ocupar cargos importantes?
Sem viajar pelo mundo?
Sem fazer coisas que chamem a atenção das pessoas?

Será que alguém pode encontrar Deus simplesmente lavando uma roupa, arrumando uma casa, fazendo uma refeição, suportando com paciência uma pessoa difícil, oferecendo uma dor, rezando no silêncio ou dando um sorriso quando, por dentro, teria vontade de chorar?

Pois houve uma jovem que descobriu exatamente isso.

Ela viveu apenas 24 anos.
Entrou para um convento aos 15 anos.
Nunca fundou uma congregação.
Nunca foi missionária em terras distantes.
Nunca escreveu grandes tratados de teologia.
Passou boa parte de sua vida escondida atrás dos muros de um Carmelo.

E, no entanto, essa pequena jovem francesa acabou ensinando ao mundo inteiro um dos caminhos mais belos para chegar a Deus.

Estou falando de Santa Teresinha do Menino Jesus e da Santa Face.

E talvez Teresinha seja ainda mais necessária para os nossos tempos do que imaginamos.

Nós vivemos numa sociedade que nos ensina que precisamos ser grandes.

Precisamos aparecer.
Precisamos produzir.
Precisamos vencer.
Precisamos ser admirados.
Precisamos mostrar aos outros aquilo que fazemos.
Precisamos de reconhecimento, resultados, aplausos…

E, no meio desse mundo tão barulhento, aparece uma pequena carmelita e nos diz exatamente o contrário:

“Você não precisa ser grande para que Deus faça grandes coisas em você.”

Que mensagem maravilhosa!

Teresinha descobriu que Deus não está somente nos grandes acontecimentos da nossa existência.

Deus também está nas pequenas coisas.

Na pequena renúncia que ninguém percebe.
Na palavra agressiva que decidimos não responder.
Na pessoa difícil que escolhemos amar.
No trabalho escondido que ninguém agradece.
Na oração que fazemos mesmo quando não sentimos absolutamente nada.
Na doença que procuramos enfrentar sem perder a confiança.
Naquele pequeno gesto de carinho que talvez somente Deus tenha visto.

Foi assim que nasceu aquilo que conhecemos como a Pequena Via de Santa Teresinha.

Não é uma espiritualidade para pessoas fracas.

É uma espiritualidade para quem compreendeu que não precisa subir sozinho a montanha da perfeição.

Teresinha descobriu algo extraordinário:
quando reconhecemos nossa pequenez, podemos nos abandonar nos braços de Deus.

E talvez seja justamente disso que tantas pessoas estejam precisando hoje.

Porque há gente cansada de tentar ser perfeita.
Há gente cansada de carregar o mundo nas costas.
Há gente se comparando o tempo inteiro com os outros.
Há gente que pensa que não reza suficientemente bem.
Que não tem uma fé suficientemente grande.
Que nunca conseguirá ser aquilo que Deus espera.

E Teresinha parece chegar bem perto dessas pessoas e dizer:

“Não tenha medo de ser pequeno. Deixe Deus amar você na sua pequenez.”

Mas há ainda outra razão muito especial para falarmos dela justamente aqui, No Coração de Maria.

Porque Nossa Senhora atravessou toda a vida de Teresinha.

Quando criança, num momento de grave enfermidade, Teresinha experimentou aquilo que mais tarde chamou de “o sorriso da Virgem”.

Quando fez sua profissão religiosa, escolheu fazê-la no dia 8 de setembro, festa da Natividade de Nossa Senhora.
E, ao contemplar Maria, Teresinha não enxergava uma mulher distante da nossa realidade.

Ela enxergava uma Mãe.

Uma mulher que viveu a simplicidade de Nazaré.
Que trabalhou.
Que cuidou de sua casa.
Que enfrentou dúvidas e sofrimentos.
Que permaneceu de pé diante da Cruz.
E que fez tudo isso com uma confiança extraordinária em Deus.

Percebe como Maria e Teresinha se encontram?

Maria viveu escondida em Nazaré.
Teresinha viveu escondida no Carmelo.

Maria fez extraordinariamente bem as coisas comuns.
Teresinha transformou as coisas comuns em extraordinários atos de amor.

Talvez seja por isso que Santa Teresinha tenha tanto a dizer para nós hoje.

Ela nos recorda que a santidade não está distante de nós.

Ela pode começar dentro da nossa casa.
Na nossa família.
No nosso trabalho.
Na nossa comunidade.
No cuidado de alguém doente.
Na paciência com quem convive conosco.
Na fidelidade à oração.
E até mesmo naquele sofrimento que ninguém conhece.

Hoje, portanto, eu quero convidar você a entrar comigo no Carmelo de Lisieux.

Vamos conhecer aquela menina sensível que perdeu a mãe muito cedo…
a adolescente que queria entrar no convento aos quinze anos…
a jovem que teve coragem de falar pessoalmente com o Papa…
a religiosa que descobriu sua vocação como Amor no coração da Igreja…
a mulher que enfrentou a tuberculose, a dor e até uma terrível noite espiritual…
e que, mesmo quando o Céu parecia escondido atrás das nuvens, continuou dizendo a Deus:

“Eu creio. Eu confio. Eu amo.”

E vamos descobrir por que aquela jovem aparentemente tão pequena se tornou Santa Teresinha do Menino Jesus, padroeira das missões e Doutora da Igreja.

E quem sabe, ao final deste programa, nós também compreendamos o segredo que transformou sua vida:
Não precisamos fazer coisas extraordinárias para amar extraordinariamente.

Porque, para Teresinha, o caminho para o Céu começava exatamente onde nós estamos…
nas pequenas coisas de cada dia, feitas com um grande amor.

Então abra o seu coração.

Prepare algumas rosas, porque hoje elas terão um significado muito especial.

E venha comigo conhecer uma das histórias mais simples e, ao mesmo tempo, mais extraordinárias da Igreja.

Hoje, No Coração de Maria, vamos conhecer a pequena Teresa… que encontrou na pequenez um caminho para chegar ao coração de Deus.

Uma vida escondida que conquistou o mundo

1. Nascimento: a última filha de uma família profundamente cristã

Santa Teresinha nasceu em 2 de janeiro de 1873, em Alençon, na Normandia, França. Seu nome de batismo era Marie-Françoise-Thérèse Martin, emportuguês, Maria Francisca Teresa Martin. Foi batizada apenas dois dias depois, 4 de janeiro de 1873, na igreja de Notre-Dame de Alençon. Vaticano

Seus pais eram: Louis Martin, relojoeiro e joalheiro, nascido em 1823; e Zélie Guérin Martin, que trabalhava com a famosa renda de Alençon.

Hoje os dois são santos da Igreja: São Luís Martin e Santa Zélia Martin.

O casal teve nove filhos, mas quatro morreram ainda pequenos. Sobreviveram cinco meninas: Marie, Pauline, Léonie, Céline e Thérèse.

E há algo extraordinário: as cinco filhas que chegaram à idade adulta abraçaram a vida religiosa.

Portanto, antes de compreendermos Santa Teresinha, precisamos compreender sua casa. Sua primeira escola de santidade não foi o Carmelo. Foi a família.

2. Uma infância marcada também pelo sofrimento

Teresinha era a caçula e cresceu cercada de muito carinho.

Mas a infância não foi simplesmente aquela imagem romântica que às vezesfazemos dela.

Ainda bebê, sua saúde preocupava bastante, e durante algumtempo ela precisou ficar aos cuidados de uma ama.

Então veio o acontecimento que marcou profundamente sua personalidade.

Sua mãe, Zélia, adoeceu gravemente de câncer de mama.

Em 28 de agosto de 1877, Zélia morreu.

Teresinha tinha apenas quatro anos e meio.

A morte da mãe foi um golpe enorme. A própria Teresinha reconheceria posteriormente como isso a tornou muito mais sensível e emotiva.

Depois da morte de Zélia, Louis Martin decidiu deixar Alençon e mudou-secom as filhas para Lisieux, também na Normandia.

A família foi morar numa casa chamada Les Buissonnets, que se tornariaum dos lugares mais importantes da infância de Teresinha.

3. Pauline se torna sua “ segunda mãe”

Depois da morte da mãe, Teresinha se apegou especialmente à irmã Pauline Martin.

Ela praticamente escolheu Pauline como uma segunda mãe.

Só que, alguns anos depois, outra separação iria atingi-la.

Em 2 de outubro de 1882, Pauline entrou no Carmelo de Lisieux.

Para uma criança tão sensível, aquilo foi muito doloroso.

Ela já tinha perdido a mãe biológica. Agora sentia que estava perdendo também aquela que havia escolhido como sua segunda mãe.

Pouco tempo depois, Teresinha entrou numa crise séria de saúde.

4. 1883: o famoso “sorriso de Nossa Senhora”

Em 1883, Teresinha adoeceu gravemente. As fontes descrevemuma doençade caráter nervoso, acompanhada de sintomas bastante fortes.

A família ficou muito preocupada.

No quarto havia uma imagem de Nossa Senhora das Vitórias.

No domingo de Pentecostes, 13 de maio de 1883, enquanto suas irmãs rezavam diante daquela imagem, aconteceu aquilo que Teresinha posteriormente descreveria como uma graça extraordinária.

Ela olhou para a imagem da Virgem e teve a impressão de que Nossa Senhora lhe sorria.

Teresinha ficou curada.

Esse acontecimento ficou conhecido como: “O sorriso da Virgem.”

O próprio Vaticano registra a cura ocorrida no Pentecostes de 1883 e atribuída por Teresinha à intercessão de Nossa Senhora das Vitórias.

Aqui já aparece um ponto maravilhoso para o No Coração de Maria:
Nossa Senhora está presente em momentos decisivos da vida de Teresinha.

5. Primeira Comunhão: 8 de maio de 1884

Teresinha estudou com as Beneditinas de Lisieux.

Em 8 de maio de 1884, aos 11 anos, fez sua Primeira Comunhão.

Foi uma experiência espiritual fortíssima para ela.

Mais tarde recordaria aquele encontro com Jesus como uma verdadeira união de amor.

Pouco mais de um mês depois, em 14 de junho de 1884, recebeu o Sacramento da Confirmação.

A Eucaristia tornou-se um dos grandes centros de sua espiritualidade.

6. Outra irmã parte para o Carmelo

Em 1886, sua irmã mais velha, Marie, também entrou no Carmelo.

Teresinha experimentou novamente a separação.

Ela continuava extremamente sensível. Chorava com facilidade e, pior, às vezes chorava por ter chorado.

Até que chegou um dos acontecimentos mais importantes de sua vida espiritual.

7. Natal de 1886: a “conversão” de Teresinha

Na noite de 25 de dezembro de 1886, depois da Missa do Galo, aconteceu algo aparentemente insignificante.

Na família Martin existia o costume de colocar presentes nos sapatos das crianças.

Teresinha, mesmo com quase 14 anos, ainda esperava aquela tradição.

Seu pai, cansado, fez um comentário dando a entender que já estava nahorade aquilo acabar.

A antiga Teresinha provavelmente teria desabado em lágrimas.

Mas naquela noite alguma coisa mudou.

Ela dominou a emoção, desceu alegremente e recebeu os presentes.

Pode parecer uma coisa pequena.

Para ela, entretanto, foi gigantesca.

Teresinha chamou aquela noite de sua “conversão completa”.

Ela percebeu que Deus a estava libertando daquela hipersensibilidade infantil. Bento XVI recordou que, a partir dessa graça do Natal de 1886, ela iniciouaquilo que chamou de uma “corrida de gigante” no caminho espiritual.

8. O desejo de entrar no Carmelo

Depois dessa experiência, sua vida espiritual amadureceu rapidamente.

Teresinha queria entregar-se totalmente a Jesus.

E surgiu uma decisão ousadíssima:

Ela queria entrar no Carmelo aos 15 anos.

Seu pai aceitou.

Mas havia um problema: ela era jovem demais.

Os superiores eclesiásticos colocaram obstáculos.

Teresinha não desistiu.

9. A viagem a Roma e o encontro com o Papa

Em 1887, Teresinha participou com o pai e Céline de uma peregrinação à Itália.

Passou por vários lugares, entre eles Loreto e Roma.

A peregrinação teria uma audiência com o Papa Leão XIII.

Existia uma orientação para que os peregrinos não prolongassem a conversa pessoal com o Papa. Teresinha resolveu arriscar. Em 20 de novembro de 1887, diante de Leão XIII, pediu pessoalmente: queria autorização para entrar no Carmelo aos 15 anos.

O Papa não simplesmente concedeu a autorização. Orientou-a a obedecer aos superiores e confiar na vontade de Deus.

A cena mostra uma característica muito interessante de Teresinha: ela era delicada, mas não era uma personalidade fraca.

Era determinada.

Quando acreditava que Deus a chamava para alguma coisa, ia atrás.

O Vaticano registra expressamente esse pedido feito a Leão XIII durante a audiência de 20 de novembro de 1887.

10. Finalmente, o Carmelo

A autorização finalmente chegou.

Em 9 de abril de 1888, Teresinha entrou no Carmelo de Lisieux.

Tinha apenas 15 anos e três meses.

Ali começaria a parte mais escondida de sua vida.

E isso é fundamental: Teresinha não se tornou santa fazendo coisas extraordinárias aos olhos humanos.

Ela viveu atrás das grades de um convento, realizando tarefas simples, convivendo todos os dias com as mesmas religiosas.

11. Qual era seu nome religioso?

No Carmelo tornou-se:

Irmã Teresa do Menino Jesus e da Santa Face

Esses dois títulos dizem muito sobre sua espiritualidade.

Menino Jesus: pequenez, confiança, abandono, infância espiritual.

Santa Face: Jesus sofredor, humilhado e escondido na Paixão.

Muitas vezes lembramos somente de “Teresinha do Menino Jesus”, mas a Santa Face de Jesus teve enorme importância em sua espiritualidade.

12. A tomada do hábito

Em 10 de janeiro de 1889, Teresa recebeu oficialmente o hábito carmelita.

Há um detalhe emocionante: seu pai, Louis, esteve presente e a abençoou naquele momento. O Santuário de Lisieux conserva a memória dessa despedida.

Mas justamente naquele período começava outra cruz terrível para a família.

Louis Martin começou a apresentar sérios problemas de saúde e passou por períodos de internação.

Teresinha sofreu profundamente ao ver o pai, que tanto admirava, naquela condição.

É justamente nesse contexto que sua devoção à Santa Face de Jesus sofredor ganha ainda mais profundidade.

13. Profissão religiosa

Em 8 de setembro de 1890, festa da Natividade de Nossa Senhora, Teresa fez sua profissão religiosa.

Tinha 17 anos.

Era agora definitivamente uma carmelita. Novamente encontramos Maria numa data fundamental da vida dela.

14. Mas o que Santa Teresinha fazia dentro do convento?

Essa pergunta é ótima para o programa.

Porque algumas pessoas imaginam que uma carmelita passava o dia inteiroa joelhada rezando.

Não.

A vida carmelita alternava: oração silenciosa, Santa Missa, Liturgia das Horas, trabalhos manuais, refeições comunitárias, recreação, silêncio, leitura espiritual e serviços domésticos.

Teresinha recebeu diferentes trabalhos ao longo dos anos.

Trabalhou, entre outras atividades, em serviços relacionados ao refeitório, lavanderia/rouparia e sacristia. Também fazia trabalhos manuais, pintura e outras tarefas simples da comunidade.

Mais tarde teve uma responsabilidade particularmente importante: ajudar na formação das noviças.

João Paulo II destacou que ela transmitia às noviças confiadas aos seus cuidados aquilo que viria a ser conhecido como sua “pequena via” da infância espiritual.

E aqui aparece algo essencial: O convento foi o laboratório da santidade de Teresinha.

Porque é fácil amar a humanidade abstratamente.

Difícil é amar a irmã concreta que senta ao seu lado, que faz barulho, quetem um temperamento diferente do seu e que você encontra todos os dias.

Foi ali que Teresinha transformou pequenos incômodos em oportunidades de amar.

15. Ela tinha dificuldades com algumas irmãs?

Sim.

E isso torna sua santidade ainda mais bonita.

Teresinha não viveu numa comunidade composta por mulheres perfeitas.

Havia diferenças de personalidade, pequenas irritações, incompreensões e antipatias naturais.

Sua espiritualidade não consistia em sentir simpatia por todo mundo, masem decidir amar todo mundo.

Ela procurava tratar com especial delicadeza justamente algumas irmãs pelas quais naturalmente não sentia grande atração.

Esse é um ponto fortíssimo: Santidade, para Teresinha, não era sentir coisas extraordinárias. Era amar extraordinariamente nas coisas ordinárias.

16. A morte do pai

Depois de anos de enfermidade, Louis Martin morreu em 29 de julho de 1894.

Teresinha tinha 21 anos.

Pouco depois, sua irmã Céline também entrou no Carmelo.

Assim, várias das irmãs Martin acabaram vivendo juntas na comunidade carmelita.

17. A descoberta da “Pequena Via”

Aqui chegamos ao coração de Santa Teresinha.

Ela queria ser santa.

Mas quando olhava para os grandes santos, percebia sua pequenez.

Então fez uma descoberta espiritual maravilhosa.

Em vez de tentar tornar-se “grande” para alcançar Deus, percebeu que poderia permanecer pequena e deixar Deus carregá-la.

Usou uma imagem muito moderna para seu tempo.

Naquela época estavam aparecendo os elevadores.

Ela pensou: “Eu sou pequena demais para subir sozinha a escada da perfeição. Precisode um elevador.”

E concluiu: O meu elevador serão os braços de Jesus.

O Santuário de Lisieux apresenta justamente essa intuição como o núcleodesua “pequena via”: reconhecer a própria pequenez e confiar na ação misericordiosa de Deus.

Portanto, a Pequena Via não significa fazer pouco.

Significa: fazer as pequenas coisas com um amor imenso.

É confiar mais na misericórdia de Deus do que nas próprias capacidades.

18. “ No coração da Igreja, minha Mãe, eu serei o Amor”

Teresinha sentia desejos aparentemente impossíveis.

Queria ser missionária.

Queria anunciar o Evangelho.

Queria trabalhar pela conversão das pessoas.

Queria ajudar os sacerdotes.

Mas estava enclausurada num Carmelo.

Então, meditando especialmente sobre São Paulo e a Igreja como Corpo de Cristo, compreendeu sua vocação mais profunda: “No coração da Igreja, minha Mãe, eu serei o Amor.”

Essa descoberta resolve seu drama interior.

Ela percebe: se eu amar, estarei presente em todas as vocações da Igreja.

Por isso, embora nunca tenha ido às missões, tornou-se posteriormente padroeira das missões.

19. Teresinha e os sacerdotes

Este aspecto é especialmente bonito para o seu programa.

Desde a peregrinação a Roma, Teresinha percebeu mais profundamente que os sacerdotes também precisavam de oração.

Ela dizia que havia entrado no Carmelo para rezar pelos sacerdotes e pela salvação das almas. O Santuário de Lisieux destaca explicitamente essa dimensão missionária de sua vocação.

Mais tarde, foram-lhe confiados espiritualmente dois futuros missionários. Ela passou a rezar por eles e a corresponder-se com eles.

Ou seja: Teresinha era missionária sem sair do convento.

20. 9 de junho de 1895: Oferta ao Amor Misericordioso

Na festa da Santíssima Trindade, em 9 de junho de 1895, Teresinha realizou outro gesto decisivo.

Fez sua Oferta ao Amor Misericordioso de Deus. Vaticano

Isso resume muito de sua espiritualidade.

Ela não queria apresentar-se diante de Deus confiando em seus próprios méritos.

Queria lançar-se inteiramente na misericórdia divina.

É o abandono de uma criança nos braços do Pai.

21. História de uma Alma

No final de 1894, sua irmã Pauline, então Madre Inês de Jesus, pediu que Teresa escrevesse suas recordações de infância.

Ela começou a escrever em 1895.

Posteriormente escreveu outros textos autobiográficos.

Depois de sua morte, esses manuscritos foram reunidos e publicados, em 1898, com o título: “História de uma Alma.”

O livro se espalhou pelo mundo e teve influência enorme na espiritualidade católica. Bento XVI o chamou de um testemunho luminoso do Evangelho vivido.

E pense na ironia providencial: uma jovem que viveu escondida escreveu sobre sua pequena vida e acabou sendo lida no mundo inteiro.

22. 1896: começa a doença que a levaria à morte

Na noite entre Quinta-feira Santa e Sexta-feira Santa de 1896, Teresinha teve uma hemoptise, isto é, expeliu sangue pela boca.

Era um sinal da tuberculose.

Ela percebeu que sua morte provavelmente estava se aproximando.

Mas justamente nesse período começou também uma das experiências espirituais mais dolorosas de sua existência.

23. A “noite da fé”

É importante não transformar Teresinha numa santa que viveu permanentemente sentindo consolações.

No final da vida aconteceu quase o contrário.

Ela entrou numa profunda provação da fé.

O Céu, que sempre havia desejado ardentemente, parecia coberto por uma espécie de escuridão interior.

Vieram tentações contra a fé e pensamentos relacionados ao nada e à incredulidade.

Mas ela permaneceu fiel.

Isso torna sua espiritualidade extraordinariamente atual.

Ela não dizia: “Eu creio porque sinto Deus.”

Sua vida passou a dizer: “Eu creio mesmo quando não sinto Deus.”

Sua fé tornou-se uma escolha de amor no meio da escuridão.

24. A doença avança

Durante 1897, a tuberculose piorou muito.

Teresinha sofria.

Faltava-lhe ar.

Tinha febre.

Sentia dores.

Ficou progressivamente debilitada.

Mesmo assim, continuava procurando transformar o sofrimento em amor.

Em junho de 1897, já muito doente, escreveu parte de suas últimas recordações por obediência à superiora.

25. 30 de setembro de 1897: a morte

Na tarde de 30 de setembro de 1897, no Carmelo de Lisieux, Teresinha entrou em agonia.

Tinha apenas 24 anos.

Suas últimas palavras ficaram ligadas àquilo que havia sido o centro detodaa sua existência: “ Meu Deus, eu vos amo!”

E morreu.

Uma jovem desconhecida.

Uma carmelita que praticamente ninguém fora daquele ambiente conhecia.

Humanamente falando, sua história poderia ter terminado ali.

Mas aconteceu exatamente o contrário.

26. “ Passarei meu Céu fazendo o bem sobre a Terra”

Antes de morrer, Teresinha manifestara a confiança de que sua missão não terminaria com a morte.

Daí nasceu a famosa imagem da: “chuva de rosas”.

As rosas simbolizam as graças que, segundo sua promessa espiritual, ela desejava continuar obtendo para as pessoas.

O Santuário de Lisieux conserva essa tradição ligada às suas promessas de “passar o Céu fazendo o bem sobre a terra” e de fazer cair uma “chuvade rosas”.

Por isso ela costuma ser representada segurando um crucifixo coberto de rosas.

27. Depois da morte acontece algo impressionante

1898: publicação de História de uma Alma.

O livro começa a circular.

Pessoas começam a conhecer Teresinha.

Relatos de graças atribuídas à sua intercessão se multiplicam.

A devoção atravessa rapidamente as fronteiras da França.

Em poucas décadas aquela carmelita escondida de Lisieux torna-se conhecida no mundo inteiro.

28. Beatificação, canonização e Doutora da Igreja

A rapidez foi impressionante.

29 de abril de 1923: Teresinha foi beatificada pelo Papa Pio XI.

17 de maio de 1925: foi canonizada, também por Pio XI.

14 de dezembro de 1927: foi proclamada, juntamente comSão Francisco Xavier, Padroeira das Missões, apesar de nunca ter ido fisicamente parauma missão estrangeira.

E décadas depois veio um reconhecimento ainda maior.

Em 19 de outubro de 1997, São João Paulo II proclamou: Santa Teresinha do Menino Jesus e da Santa Face, Doutora da Igreja.

Uma jovem morta aos 24 anos.

Sem universidade.

Sem estudos teológicos formais avançados.

Sem ter escrito tratados acadêmicos.

Mas a Igreja reconheceu que sua compreensão do amor, da misericórdia, da confiança e da infância espiritual contém uma verdadeira sabedoria paratoda a Igreja.

29. E qual é a ligação de Santa Teresinha com Nossa Senhora?

Aqui, Frei Rinaldo, eu faria questão de guardar um bom espaço do programa, porque o título é No Coração de Maria.

Maria atravessa a vida de Teresinha.

Quando criança e gravemente enferma, é diante de Nossa Senhora queacontece a graça do “sorriso da Virgem”.

Sua profissão religiosa acontece justamente em 8 de setembro, festa da Natividade de Nossa Senhora.

E há um aspecto belíssimo na mariologia de Teresinha: ela gostava de contemplar Maria não como alguém tão distante que se tornasse impossível imitá-la, mas como Mãe que viveu uma vida real, simples, humilde, escondida e cheia de fé.

Isso combina perfeitamente com a Pequena Via.

Maria não precisou fazer barulho.

Teresinha também não.

Maria viveu escondida em Nazaré.

Teresinha viveu escondida no Carmelo.

Maria fez extraordinariamente bem as coisas comuns.

Teresinha descobriu exatamente aí seu caminho de santidade.

30. A grande mensagem de Teresinha

Se eu tivesse que resumir 24 anos de vida de Santa Teresinha em uma única ideia para o programa, diria: Teresinha descobriu que não precisamos ser grandes para chegar até Deus. Precisamos permitir que Deus seja grande em nossa pequenez.

Esse é o segredo.

Não é realizar milagres.

Não é ocupar grandes cargos.

Não é fazer coisas que apareçam.

Não é sentir Deus o tempo inteiro.

É transformar o pequeno dever, a pequena renúncia, a pessoa difícil, adoença, o trabalho escondido, uma palavra que deixamos de responder, um sorriso dado quando não estamos com vontade, uma oração feita no silêncio em atos de amor.

E talvez essa seja a razão pela qual uma menina que nasceu em 2 de janeiro de 1873, entrou num convento aos 15 anos, morreu de tuberculose aos 24, sem realizar nenhuma grande obra exterior, acabou conquistando o mundo.

Porque ela mostrou que a santidade cabe dentro da vida comum.

E isso significa que ela está ao alcance de todos nós.