Piloto da Latam é preso em Congonhas suspeito de liderar rede de exploração sexual infantil
Polícia Civil afirma que esquema funcionava há pelo menos oito anos; duas mulheres também foram presas durante a operação.

Um piloto da companhia aérea Latam foi preso na manhã desta segunda-feira (9), dentro de uma aeronave no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, suspeito de liderar uma rede de exploração sexual infantil. Segundo a Polícia Civil, o investigado é Sérgio Antônio Lopes, de 60 anos, e é apontado como responsável por crimes de estupro de vulnerável, produção e compartilhamento de pornografia infantil e exploração sexual de crianças e adolescentes.
A prisão ocorreu durante a operação “Apertem os Cintos”, conduzida pelo Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).
As investigações indicam que o piloto comandava a estrutura criminosa, que funcionava há pelo menos oito anos. Segundo a polícia, uma das vítimas começou a sofrer abusos quando tinha oito anos de idade. Atualmente, ela tem 12. O suspeito levava crianças e adolescentes a motéis utilizando documentos de identidade falsos de pessoas maiores de idade.
Até o momento, dez vítimas foram identificadas no estado de São Paulo, mas a polícia afirma que o número pode ser maior, já que o celular apreendido com o suspeito contém imagens de outras crianças e adolescentes, inclusive de outros estados.
Durante a operação, duas mulheres também foram presas. Uma delas é uma avó, de 55 anos, moradora de Guararema, na Grande São Paulo, suspeita de ter entregue ao investigado três netas, de 10, 12 e 14 anos. A outra é uma mãe que, segundo a polícia, tinha conhecimento dos abusos e enviava fotos e vídeos da própria filha ao suspeito.
As investigações apontam que o piloto se aproximava de mães, avós ou responsáveis pelas vítimas e, após contato inicial, fazia propostas para ter acesso às crianças e adolescentes.
Segundo a Polícia Civil, o suspeito realizava pagamentos por imagens das vítimas, com valores que variavam entre R$ 30, R$ 50 e R$ 100. Além das transferências, ele também comprava medicamentos, pagava aluguel e chegou a adquirir televisão para algumas famílias.
A polícia afirma ainda que há indícios de que o material produzido era compartilhado com outras pessoas.
A prisão foi realizada dentro da aeronave porque, segundo os investigadores, a rotina de voos dificultava a localização do suspeito em sua residência, localizada em Guararema. A equipe solicitou à empresa aérea a escala do piloto e identificou o voo em que ele estaria nesta segunda-feira.
A operação cumpriu oito mandados de busca e apreensão na capital paulista e em Guararema. A polícia apura crimes como estupro de vulnerável, favorecimento da prostituição, exploração sexual de criança e adolescente e armazenamento e compartilhamento de material de abuso sexual infantil.
Em nota, a Latam Airlines Brasil informou que abriu apuração interna e afirmou que está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações. A empresa declarou ainda que repudia qualquer prática criminosa.
Segundo a companhia, o voo LA3900, que seria operado pelo piloto preso, entre São Paulo (Congonhas) e Rio de Janeiro (Santos Dumont), foi realizado normalmente.
A Polícia Civil informou que as investigações continuam e que novas vítimas poderão ser identificadas.






