Rede Século 21 Ao Vivo

Mãos Ensanguentadas de Jesus

Servir Brasil

Divina Vontade

Louvemos o Senhor Cifrado 3.0

Pesquisa brasileira desenvolve medicamento experimental para lesões medulares após 25 anos de estudos na UFRJ

Estudo liderado por pesquisadora do Instituto de Ciências Biomédicas avança para a fase 1 de testes clínicos e reforça o protagonismo da ciência nacional no desenvolvimento de novas terapias para o sistema nervoso.

Após mais de duas décadas de investigação científica, a professora Tatiana Coelho de Sampaio, chefe do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, apresentou resultados que apontam para uma possível transformação no tratamento de lesões na medula espinhal.

A pesquisa, desenvolvida na Universidade Federal do Rio de Janeiro, tem como base a laminina, uma proteína presente no organismo humano e associada à organização dos tecidos e à modulação de células do sistema nervoso. A partir desse conhecimento, os pesquisadores desenvolveram a polilaminina, uma versão modificada da proteína, com aplicação direta na coluna vertebral.

Estudo brasileiro dá origem a nova molécula para lesões na medula

O trabalho científico deu origem à polilaminina, medicamento experimental que vem sendo testado em pacientes com perda de movimentos causada por lesões medulares. Nos estudos já realizados, foram observados casos de recuperação parcial e, em alguns pacientes, recuperação mais ampla da mobilidade.

Embora ainda esteja em fase inicial de desenvolvimento clínico, a molécula é resultado de quase 30 anos de pesquisa conduzida no Brasil e surge como uma nova perspectiva para pessoas que convivem com lesões na medula espinhal.

Anvisa autoriza início da fase 1 de testes clínicos

No início deste ano, a polilaminina recebeu autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária para o início da fase 1 de estudos clínicos.

Essa etapa é a primeira exigida para que uma nova substância possa, futuramente, ser utilizada de forma regular no país. O objetivo é avaliar a segurança da molécula em humanos. Ainda serão necessárias as fases 2 e 3, que analisam a eficácia do tratamento e confirmam seu perfil de segurança, um processo que pode levar vários anos.

Para os pesquisadores envolvidos, a autorização representa um marco histórico para a ciência brasileira, construída ao longo de décadas de experimentos laboratoriais e estudos em modelos pré-clínicos voltados ao tratamento de lesões medulares.

Pesquisa nacional reforça protagonismo científico do Brasil

Apesar de ainda não existir autorização para comercialização, pacientes com diferentes tipos de lesão na medula espinhal têm conseguido acesso à polilaminina por meio de decisões judiciais. Segundo relatos, os resultados observados após a aplicação têm sido considerados positivos por familiares e equipes médicas.

Um dos casos recentes é o da nutricionista Flávia Bueno, de 35 anos, que ficou tetraplégica após um acidente ao mergulhar no mar. A aplicação da proteína ocorreu em 23 de janeiro, no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. De acordo com a família, após o procedimento, a paciente voltou a movimentar o braço direito.

Ciência e longo prazo: próximos passos da polilaminina

Especialistas ressaltam que, embora os relatos iniciais sejam animadores, a pesquisa ainda precisa cumprir todas as etapas previstas pelos protocolos científicos e regulatórios. Somente ao final dos ensaios clínicos será possível confirmar, de forma definitiva, a segurança e a eficácia da polilaminina.

Mesmo assim, o avanço obtido pelo grupo da UFRJ já é considerado um exemplo do impacto da pesquisa científica de longo prazo no Brasil, especialmente na área biomédica, e reforça a importância do investimento contínuo em ciência, inovação e formação de pesquisadores para o desenvolvimento de novos tratamentos no país.

Imagem:Reprodução/ Cristália/ UFRJ